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Tendências tecnológicas para 2023

Por Miguel Rocha Junior*

A escalada dos cartórios extrajudiciais rumo a evolução da tecnologia foi impulsionada nos últimos anos pelo avanço da pandemia de covid-19, em que milhões de pessoas foram afetadas em todo o mundo. No Brasil, não foi diferente. A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ), as corregedorias estaduais, as entidades e associações de classe e os próprios cartórios se viram no meio de uma inundação de inovações que dialogam com o contexto disruptivo da tecnologia. 

Um dos termos que ganhou força durante esse período foi o metaverso, universo criado digitalmente e que pode ser baseado em uma mimese da vida real ou em um mundo que extrapola a realidade, todos em formato de jogo online. Seus processos são, geralmente, validados e baseados em blockchain, já que milhares de transações são realizadas cotidianamente neste universo. Por isso, já virou papel dos notários e registradores entender e respeitar o poder e relevância destas operações na vida do interessado quando este escolher se assegurar juridicamente em um universo online. 

Mas não foi só esse conceito que ganhou força em 2022. Um levantamento do Gartner revela que mais de 50% da população global serão usuários ativos diários de vários SuperApps até 2027. Os SuperApps combinam recursos de um aplicativo, uma plataforma e um ecossistema em um único software. Atualmente, os cartórios estão estudando possibilidades de desenvolverem o Sistema Eletrônico dos Registros Públicos (Serp), que será responsável por conectar todas as bases de dados dos cartórios em âmbito nacional, viabilizar o registro e o intercâmbio de informações, dentre outras funções.

Outras tendências tecnológicas que ganharam força neste ano e estará ainda mais em evidencia no próximo é ESG e Net Zero, além dos Tokens. As empresas, incluindo os cartórios, estão cada vez mais atentas aos conceitos de sustentabilidade, como o ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) e o Net Zero (zero emissões de carbono). Neste ano, a Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg/BR) divulgou o Ranking Nacional da Qualidade Notarial e Registral, pelo qual contempla métricas como gestão ambiental e responsabilidade social. 

Já os tokens irão substituir o controle de ativos ao “transformar” os dados reais em outros equivalentes de forma digital e segura, sendo protegidos por uma chave de criptografia. Vale lembrar que há alguns anos os cartórios estão inseridos no debate disruptivo da blockchain que vem transformando a realidade de diversos setores econômicos, como o registro de terras à identificação da veracidade de documentos. 

Há ainda outras tecnologias que reverberam no mundo extrajudicial, como a inteligência artificial, os avanços na saúde, as cidades inteligentes e as soluções de privacidade. Afinal, qual cartório precisou, ou precisa, se adequar à Lei Geral de Proteção de Dados e que entrará em vigor no próximo dia 20 de fevereiro de 2023? As inovações estão aí e em 2023 não será diferente. 

*Miguel Rocha Junior é um dos fundadores da Escriba Informatização Notarial e Registral e CEO da empresa.